segunda-feira, 23 de março de 2026

A CARIDADE E O TRABALHO


              Devemos pensar realmente que a caridade, que é dando que se recebe a graça do Senhor, que na realidade estaremos aclarando a consciência popular de suas próprias mazelas e como poderíamos participar de uma vida mais solidária, e que porventura ensinar ao povo os segredos em se lutar por trabalho não seria uma fórmula mais consonante de praticarmos a verdadeira caridade, senão que apenas através da educação poderia um ser humano sair de certas lamas onde está metido? Inequivocamente, há daqueles que possuem o dom de espalhar uma consciência espiritual entre as populações na miséria, mas esses são homens que se aproximam da santidade. O que se diz é que aqueles que estão no limbo do sistema podem, sim, acercar-se de modalidades do trabalho, como se fosse algo tão ou mais importante nas suas vidas do que simplesmente o fazerem para fumar a marijuana ou cheirar a coca, ou mesmo fumar o crack e cigarros.

              Como se diz: temos o livre arbítrio para fazermos o que bem quisermos, e o que bem queiramos fazer por vezes não é pontuado pela prática cotidiana de se bem portar, mesmo porque há famílias totalmente disfuncionais por causa de um, dois ou demais membros. Encontra-se, porventura, uma família em uma irmandade ou coisa parecida, mesmo que para isso tenhamos que nos encontrar com o tempo em que estivemos em falta, não apenas com familiares, mas com todos aqueles que porventura prejudicamos, ou já estar preparados para fazer as reparações necessárias àqueles a quem prejudicamos ontem ou no hoje, e prepararmos nosso inventário relâmpago, passo essencial para quem quer atingir a serenidade e alicerçar-se, finalmente, a um Poder Maior do que nós mesmos. Devemos jogar a toalha e nos declarar impotentes perante algo, e essa consciência de nossos atos pode ser aquela que podemos participar caritativamente com outros: nossa experiência de vida particular...

              Podemos ter a concepção de um templo que ofereça cestas básicas, mas basicamente há procedimentos corretos para se fazer isso, pois dar dinheiro não é uma forma de ser caritativo, já que mesmo nas cestas há aquelas pessoas que as trocam na esquina por drogas ou álcool. Há que se conhecer o lar e cadastrar aqueles que recebem as cestas. Mas o trabalho deve ser sempre a pregação dos sacerdotes: trabalho e honestidade. Sem esses dois paradigma sociais, os trabalhadores não encontrariam sua retaguarda religiosa nem o movimento que os “empurra” nessa direção. Esse empuxo que move tanto as sociedades capitalistas quanto as socialistas de mercado, pois os ganhos que se oferece através do trabalho deve ser dignificado por um sacerdócio mesmo daqueles homens que dedicam sua vida a peregrinar, espalhando a espiritualidade e a palavra de Deus. Posto, qual não seria o oposto, e a sociedade não fosse efetivamente gerida por trabalhadores que mais não fazem funcionar o sistema em que vivemos, erigir vivendas, construir represas, trabalhar como operários em fábricas, ou mesmo lavrando grandes plantações para alimentar as cidades e o campo? A sociedade é dessa massa de trabalhadores, e os políticos nada mais são do que apenas seus representantes, dentro do escopo da democracia, essa face inamovível de um panorama civilizatório escorreito. Pensemos o que seria de um Governo que atendesse mais as elites, deixando de lado as massas trabalhadoras, o que seria, senão um representante ilegítimo da maioria do povo, que são os trabalhadores. Aqueles que acreditam que a caridade seja um paliativo para atenuar os sofrimentos decorrentes dos desníveis das classes sociais, mais não fazem do que coadjuvar com a teoria errônea marxista de que a religião seria o ópio do povo, pois a realidade contemporânea já revela que certos movimentos religiosos e libertários trabalham justamente oferecendo cursos de capacitação para que muitos cidadãos se preparem para o mercado de trabalho, não apenas como alunos que passam a ser em templos, como mestres de ofício de ditos cursos. Assim como há serviços de saúde espiritual dentro da própria medicina, que ensinam meditação e oração, como saídas válidas não apenas para a saúde mental de populações, bem como a libertação de drogas e outras dependências.

              Apenas nas religiões sectárias se encontra essa falsa libertação humana, pois na realidade o cerne da espiritualidade já é realidade na neurociência. E será através desse trabalho continuado frente a populações que estiverem em sofrimento que será possível alavancar a esperança, junto a irmandades, como os AA, NA e NiCa, que se poderão vencer os obstáculos rumos a uma recuperação plena e desafiadora perante dependências químicas ou afetivas que nos acometem todos os dias, no sentido mais pleno da verdadeira caridade, com os esforços e trabalho de seus membros, das equipes da medicina, dos operários que constroem tanto os hospitais como os templos, e as casas de cada ser humano que pertença a essa grande família que se chama o caminho para o bem estar do ser humano.

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