terça-feira, 31 de março de 2026

O ENCONTRO COM A LUCIDEZ


                Talvez falássemos tardiamente com ela, mas a lucidez pede passagem, passa pela turba, vem como o vento, passa entre nós e nos deixa quase órfãos quando se vai, por vezes é uma fração, mas em outra se instala e instila o conhecimento, que a alguns vem da alma, vem de dentro, como se a lucidez desse um empurrão para que nos déssemos conta de algo superior a nós mesmos... Não que não sofrêramos tanto, por vezes, não que a sua falta nos tenha enveredado pela dúvida, pela exclusão, ou mesmo que por ter-se rigidamente colhido alguns frutos de sua presença, quem sabe o mindfulness nos tenha tirado as vantagens de se estar alerta, mas não em vigília inteligente, não com a luz no olhar de quem, vítreo, se enamorou do espelho por ter tido algum insight em que milhões já tenham passado pela mesma experiência. O nosso encontro com ela seria algo de macho e fêmea, carnal, mesmo que a parte do animus na mulher fora a parte sua da razão que talha o seu encontro casual com sua querência de ao menos tergiversar com o poder dos homens, que ainda mandam, infelizmente, no mundo do Poder supracitado. Ter-se em parte uma razão, uma lógica quase teológica, como no mundo cristão, onde nos situamos, e parte uma irracionalidade, dos ares do tempo, temendo nossos atos e compulsões, nossos erros, o que faríamos conosco em certas circunstâncias, ou onde colocaríamos nosso cavalo nos idos das cinderelas? Nada de jocoso, irmãos, tacitamente venceremos na simples questão de que alguém tenha enfrentado um calvário há 2025 anos atrás, ou em torno disso, e tenha ressuscitado ao terceiro dia... Muitos beberão sua Páscoa, muitos deglutirão seus chocolates, muitos casais aproveitarão para fornicar o máximo possível, comer muita carne e se esbaldar no vinho, justamente na sexta da Paixão...

                Não: rezasse o bom pastor, nem uma ovelha se desgarraria, mas na realidade quiçá uma ovelha de todo o rebanho queira ficar na salvação, ou ao menos um pouco do rebanho, isso já seria o suficiente para que Jonas não precisasse entrar em “ação...” Não há de se permitir que destruam nada, guerreiros de fé, pois a Criação do Senhor é mais ampla do que o sentimento dos fariseus modernos, que mais não fazem do que usar a palavra amor em vão, para dissecar em si mesmos as contendas e os ódios que não aplacaram durante muito tempo em suas vidas, e têm ódio de coisas como a democracia, a liberdade de opinião, se escondendo atrás do que chamam a liberdade de poder praticar suas fakes nas redes sociais. Não sucumbam os jovens leitores, nem os veteranos que criam suas histórias, seu jornalismo, a opinião, a liberdade de imprensa, a latitude que se respira hoje em dia, a liberdade de crença, e justamente o não preconceito, ainda uma luta a ser vencida, em muitos territórios da nossa nação pátria.

                Manter a lucidez transformando tudo em um Processo Civilizatório, não é coisa que se brinque, não se trata de montar castelos de carta, como disse o famoso e entojo Golbery, dos anos passados, já enterrado em uma memória tenebrosa de nossa nação. Palavras sejam dadas, em nome de Cristo, rumo a uma verdade mais sonante, pois não se deseja nada que não seja a caridade, a comunhão e a veracidade de que, em nome do Pai, ficar muito rico já é o oitavo pecado capital...

                Neste novo modal, nesta versão ecumênica, neste parágrafo passado, quem sabe os sacerdotes sagrados possam não estar totalmente de acordo, mas o respeito dos fieis passa a ser a moeda mais valiosa diante dos quais o que se diz de modo certeiro passa a ser mais adiante na lógica premente de Deus, do que propriamente um mero apostolado para viandantes desavisados, meros passantes do tempo. O amor que nos guarde reduz tudo o que foi dito na seara da compreensão, sob a dádiva da análise, sob o critério da tolerância e da paz, pois que se faça o mea culpa que não queira jogar pedras afiadas sobre uma simples opinião de um mortal! O que se diria do oposto, senão apenas a opinião contrária, ou uma tentativa de se imiscuir dentro do pensamento, quem sabe na estratégia de se encontrar um autor dentro de uma reunião e tentar crucificá-lo verbalmente, ou mesmo escarnecer de sua pessoa no simples ato da não compreensão factual do que é ou não a Verdade?

                Não haja vitoriosos nem perdedores, o que há é ventilar as possibilidades, e onde há a função afetiva, por vezes o engodo vem em cápsulas, e onde há as armadilhas do acaso, o Homem já o sabe por ter caído tantas vezes nelas que apenas cai onde prefira, justamente em sua cama: um colchão duro onde possa descansar os seus costados. Não se ressintam, irmãos, tudo o que Jesus consagrou era isso mesmo, já está consagrado, não há como destoar de sua palavra, pois ela é incandescente como a lava, dentro daqueles corações que teimam em ignorar a que Ele veio, e por que fora traído por um punhado de moedas... A senda é essa, é “o fato”, não importa de quem viemos, como nos expressamos, quais são os nossos ideais, mas garanto que o verdadeiro ideal do Cristo era acreditar que um dia o homem deixaria de devorar o próximo, mas aqueles que o consagram em sua fé todos os dias o sabem que ao menos é possível dentro de células menores na sociedade, onde a comunhão fala mais alto do que as engrenagens sistêmicas da sociedade, que teimam em seguir, a seu modo, devastando o planeta para fins gananciosos.

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