Talvez
falássemos tardiamente com ela, mas a lucidez pede passagem, passa pela turba,
vem como o vento, passa entre nós e nos deixa quase órfãos quando se vai, por
vezes é uma fração, mas em outra se instala e instila o conhecimento, que a
alguns vem da alma, vem de dentro, como se a lucidez desse um empurrão para que
nos déssemos conta de algo superior a nós mesmos... Não que não sofrêramos
tanto, por vezes, não que a sua falta nos tenha enveredado pela dúvida, pela
exclusão, ou mesmo que por ter-se rigidamente colhido alguns frutos de sua
presença, quem sabe o mindfulness nos tenha tirado as vantagens de se
estar alerta, mas não em vigília inteligente, não com a luz no olhar de quem,
vítreo, se enamorou do espelho por ter tido algum insight em que milhões já
tenham passado pela mesma experiência. O nosso encontro com ela seria algo de
macho e fêmea, carnal, mesmo que a parte do animus na mulher fora a parte sua
da razão que talha o seu encontro casual com sua querência de ao menos
tergiversar com o poder dos homens, que ainda mandam, infelizmente, no mundo do
Poder supracitado. Ter-se em parte uma razão, uma lógica quase teológica, como
no mundo cristão, onde nos situamos, e parte uma irracionalidade, dos ares do
tempo, temendo nossos atos e compulsões, nossos erros, o que faríamos conosco
em certas circunstâncias, ou onde colocaríamos nosso cavalo nos idos das
cinderelas? Nada de jocoso, irmãos, tacitamente venceremos na simples questão
de que alguém tenha enfrentado um calvário há 2025 anos atrás, ou em torno
disso, e tenha ressuscitado ao terceiro dia... Muitos beberão sua Páscoa, muitos
deglutirão seus chocolates, muitos casais aproveitarão para fornicar o máximo
possível, comer muita carne e se esbaldar no vinho, justamente na sexta da
Paixão...
Não:
rezasse o bom pastor, nem uma ovelha se desgarraria, mas na realidade quiçá uma
ovelha de todo o rebanho queira ficar na salvação, ou ao menos um pouco do
rebanho, isso já seria o suficiente para que Jonas não precisasse entrar em “ação...”
Não há de se permitir que destruam nada, guerreiros de fé, pois a Criação do Senhor
é mais ampla do que o sentimento dos fariseus modernos, que mais não fazem do
que usar a palavra amor em vão, para dissecar em si mesmos as contendas e os
ódios que não aplacaram durante muito tempo em suas vidas, e têm ódio de coisas
como a democracia, a liberdade de opinião, se escondendo atrás do que chamam a
liberdade de poder praticar suas fakes nas redes sociais. Não sucumbam
os jovens leitores, nem os veteranos que criam suas histórias, seu jornalismo,
a opinião, a liberdade de imprensa, a latitude que se respira hoje em dia, a
liberdade de crença, e justamente o não preconceito, ainda uma luta a ser
vencida, em muitos territórios da nossa nação pátria.
Manter
a lucidez transformando tudo em um Processo Civilizatório, não é coisa que se
brinque, não se trata de montar castelos de carta, como disse o famoso e entojo
Golbery, dos anos passados, já enterrado em uma memória tenebrosa de nossa
nação. Palavras sejam dadas, em nome de Cristo, rumo a uma verdade mais
sonante, pois não se deseja nada que não seja a caridade, a comunhão e a
veracidade de que, em nome do Pai, ficar muito rico já é o oitavo pecado
capital...
Neste
novo modal, nesta versão ecumênica, neste parágrafo passado, quem sabe os
sacerdotes sagrados possam não estar totalmente de acordo, mas o respeito dos
fieis passa a ser a moeda mais valiosa diante dos quais o que se diz de modo
certeiro passa a ser mais adiante na lógica premente de Deus, do que
propriamente um mero apostolado para viandantes desavisados, meros passantes do
tempo. O amor que nos guarde reduz tudo o que foi dito na seara da compreensão,
sob a dádiva da análise, sob o critério da tolerância e da paz, pois que se
faça o mea culpa que não queira jogar pedras afiadas sobre uma simples
opinião de um mortal! O que se diria do oposto, senão apenas a opinião
contrária, ou uma tentativa de se imiscuir dentro do pensamento, quem sabe na
estratégia de se encontrar um autor dentro de uma reunião e tentar crucificá-lo
verbalmente, ou mesmo escarnecer de sua pessoa no simples ato da não
compreensão factual do que é ou não a Verdade?
Não
haja vitoriosos nem perdedores, o que há é ventilar as possibilidades, e onde
há a função afetiva, por vezes o engodo vem em cápsulas, e onde há as
armadilhas do acaso, o Homem já o sabe por ter caído tantas vezes nelas que
apenas cai onde prefira, justamente em sua cama: um colchão duro onde possa
descansar os seus costados. Não se ressintam, irmãos, tudo o que Jesus
consagrou era isso mesmo, já está consagrado, não há como destoar de sua palavra,
pois ela é incandescente como a lava, dentro daqueles corações que teimam em
ignorar a que Ele veio, e por que fora traído por um punhado de moedas... A
senda é essa, é “o fato”, não importa de quem viemos, como nos expressamos,
quais são os nossos ideais, mas garanto que o verdadeiro ideal do Cristo era
acreditar que um dia o homem deixaria de devorar o próximo, mas aqueles que o
consagram em sua fé todos os dias o sabem que ao menos é possível dentro de
células menores na sociedade, onde a comunhão fala mais alto do que as
engrenagens sistêmicas da sociedade, que teimam em seguir, a seu modo, devastando
o planeta para fins gananciosos.
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