Por uma
experiência particular, portanto como paciente e portador da dependência da
nicotina, creio que salientar que essa experiência possa ser um atenuante da minha
própria enfermidade, creio que vale salientar a importância que tem sido meu
tratamento com relação ao uso da substância, no tempo em que experimento as
conquistas diárias do trato com essa luta em que podemos acreditar que toda a
questão de vencer qualquer vício não depende exclusivamente da força de
vontade, mas acima de tudo da recriação de hábitos que demandem um trato à nossa
própria consciência, rumo à libertação. Escrever sobre essa questão não é
meramente um ato formal, mas na verdade o que sinto é não poder ficar à mercê
de algo em que simplesmente a cessação imediata me traz prejuízos não apenas de
natureza cognitiva, mas de desconfortos que beiram atos que posso vir a cometer
nisso que se chama a compulsão, ou o que pode advir dela, quando estou sem a
substância ou os mecanismos de reposição paulatina, pelo menos naquilo que me
seja possível, com o controle imanente dos meus sentidos, e a crença em um
Poder maior a mim mesmo, que simbolizo como Cristo, na figura de Deus Filho, e
Krsna, na figura de Deus Pai. Assim concebo e quando simplesmente me abstraio e
preparo a lavra para que possa estar na companhia de Deus, me seja possível
vencer aqueles dias cruciais que sucedem os relapses,
ou recaídas, do dia anterior, quando no dia seguinte a compulsão me abraça e eu
já posso voltar a girar o timão para uma direção onde passo a controlar melhor
as minhas pulsões, com um superego mais atento e recalcando onde posso no
controle de dissipar melhor esses citados impulsos não apenas de hábitos
inconscientes, mas de abstinências que por vezes se tornam quase
incontornáveis... Perdura-se a fase em que tornamos a girar a questão do leme
de nossas vidas, e reitero ser de suma importância que minha experiência
pessoal venha a ser de valia a mais pessoas que vivenciam esses problemas de
natureza psíquica e de dependência química e comportamental.
O ser
humano possui a sua tipificação biológica, orgânica, seu cérebro jamais vai ser
igual ao de outro: reage de forma distinta na questão dos vícios, por vezes há
casos em que um homem ou uma mulher para de fumar e depois tenta se livrar do
alcoolismo e não consegue o êxito, enquanto outros conseguem até com certa
facilidade se livrar de alguma substância e depois fracassam em outra... Os
modos de se obter sucesso em uma empreitada contra qualquer vício faz por vezes
com que um fumante de maconha não consiga se livrar dessa droga, e ainda por
cima fica na fissura por um cigarro de tabaco, pois quase sempre uma coisa leva
à outra e mais outra nas drogas de combustão, podendo mesclar maconha com
cocaína e fumar a mescla e partir finalmente para fumar heroína ou crack. As
drogas sintéticas como a K9, um tipo de maconha, e finalmente o ecstasy, a
anfetamina e outras que chegam em profusão ao mercado, principalmente
Ocidental, fazem com que modalidades de vícios absurdos se instalem na mente
desses usuários, e a psiquiatria sequer encontre soluções palpáveis para muitos
casos. O que se pode contar com uma política pública é a redução, no caso do
tabagismo, de adesivos e gomas de mascar com nicotina, com assistência
psicossocial na abordagem do Brasil, e essa política pública pode estar sendo
fartamente utilizada como meio válido para que não se prolongue o vício da
nicotina, quando sabemos dos diversos males causados por essa droga, o tabaco,
que contém mais de 4000 substâncias tóxicas em sua composição.
Mas a “aquisição”
de níveis de consciência majorada espiritualmente, quando nos aproximamos de
Deus e tudo o que isso significa, quando temos a noção exata de que ele é que
deve nos comandar, e mesmo em dúvida, colocarmos nossa fé em dia através da meditação
e da oração, mesmo quando mais velhos e reclusos, o andamento de nossa
recuperação finca o pé na jornada que se torna mais e mais promissora ao
reiterarmos uma recuperação possível, com o apoio de grupos que nos deem a
retaguarda com bons companheiros de jornada... E quando estamos mais solitários
em nossos lares, solteiros, sem progênie, quando temos algo de Natureza em
nosso derredor, creiam-me, não estamos sozinhos, pois é o Poder de Deus acima
citado que irá nos dar as rédeas necessárias para que possamos não apenas nos
recuperar, mas igualmente estar em serviço e levar a mensagem para aqueles que
sofrem com os vícios em geral.
Na redução
de danos o objetivo é largarmos a substância, mas o acompanhamento médico se
faz necessário, como uma multidisciplinaridade que nos auxilie no sentido de
levar-nos a um bom andamento clínico e espiritual, rumo à libertação, não
apenas do cigarro de tabaco, como de todas as dependências que assolam um mundo
tão afeito às adições como um todo, em seu leque variado que, por mais
funcional que alguma substância e seu uso possa parecer, a sua essência vai ser
sempre a violação do nosso corpo, mente e espírito no sentido de usurpar de
nosso ser o segredo de uma vida melhor, que é a mera normalidade...
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