sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A REDUÇÃO DE DANOS: UMA ABORDAGEM TERAPÊUTICA CONTRA OS VÍCIOS


              Por uma experiência particular, portanto como paciente e portador da dependência da nicotina, creio que salientar que essa experiência possa ser um atenuante da minha própria enfermidade, creio que vale salientar a importância que tem sido meu tratamento com relação ao uso da substância, no tempo em que experimento as conquistas diárias do trato com essa luta em que podemos acreditar que toda a questão de vencer qualquer vício não depende exclusivamente da força de vontade, mas acima de tudo da recriação de hábitos que demandem um trato à nossa própria consciência, rumo à libertação. Escrever sobre essa questão não é meramente um ato formal, mas na verdade o que sinto é não poder ficar à mercê de algo em que simplesmente a cessação imediata me traz prejuízos não apenas de natureza cognitiva, mas de desconfortos que beiram atos que posso vir a cometer nisso que se chama a compulsão, ou o que pode advir dela, quando estou sem a substância ou os mecanismos de reposição paulatina, pelo menos naquilo que me seja possível, com o controle imanente dos meus sentidos, e a crença em um Poder maior a mim mesmo, que simbolizo como Cristo, na figura de Deus Filho, e Krsna, na figura de Deus Pai. Assim concebo e quando simplesmente me abstraio e preparo a lavra para que possa estar na companhia de Deus, me seja possível vencer aqueles dias cruciais que sucedem os relapses, ou recaídas, do dia anterior, quando no dia seguinte a compulsão me abraça e eu já posso voltar a girar o timão para uma direção onde passo a controlar melhor as minhas pulsões, com um superego mais atento e recalcando onde posso no controle de dissipar melhor esses citados impulsos não apenas de hábitos inconscientes, mas de abstinências que por vezes se tornam quase incontornáveis... Perdura-se a fase em que tornamos a girar a questão do leme de nossas vidas, e reitero ser de suma importância que minha experiência pessoal venha a ser de valia a mais pessoas que vivenciam esses problemas de natureza psíquica e de dependência química e comportamental.

              O ser humano possui a sua tipificação biológica, orgânica, seu cérebro jamais vai ser igual ao de outro: reage de forma distinta na questão dos vícios, por vezes há casos em que um homem ou uma mulher para de fumar e depois tenta se livrar do alcoolismo e não consegue o êxito, enquanto outros conseguem até com certa facilidade se livrar de alguma substância e depois fracassam em outra... Os modos de se obter sucesso em uma empreitada contra qualquer vício faz por vezes com que um fumante de maconha não consiga se livrar dessa droga, e ainda por cima fica na fissura por um cigarro de tabaco, pois quase sempre uma coisa leva à outra e mais outra nas drogas de combustão, podendo mesclar maconha com cocaína e fumar a mescla e partir finalmente para fumar heroína ou crack. As drogas sintéticas como a K9, um tipo de maconha, e finalmente o ecstasy, a anfetamina e outras que chegam em profusão ao mercado, principalmente Ocidental, fazem com que modalidades de vícios absurdos se instalem na mente desses usuários, e a psiquiatria sequer encontre soluções palpáveis para muitos casos. O que se pode contar com uma política pública é a redução, no caso do tabagismo, de adesivos e gomas de mascar com nicotina, com assistência psicossocial na abordagem do Brasil, e essa política pública pode estar sendo fartamente utilizada como meio válido para que não se prolongue o vício da nicotina, quando sabemos dos diversos males causados por essa droga, o tabaco, que contém mais de 4000 substâncias tóxicas em sua composição.

              Mas a “aquisição” de níveis de consciência majorada espiritualmente, quando nos aproximamos de Deus e tudo o que isso significa, quando temos a noção exata de que ele é que deve nos comandar, e mesmo em dúvida, colocarmos nossa fé em dia através da meditação e da oração, mesmo quando mais velhos e reclusos, o andamento de nossa recuperação finca o pé na jornada que se torna mais e mais promissora ao reiterarmos uma recuperação possível, com o apoio de grupos que nos deem a retaguarda com bons companheiros de jornada... E quando estamos mais solitários em nossos lares, solteiros, sem progênie, quando temos algo de Natureza em nosso derredor, creiam-me, não estamos sozinhos, pois é o Poder de Deus acima citado que irá nos dar as rédeas necessárias para que possamos não apenas nos recuperar, mas igualmente estar em serviço e levar a mensagem para aqueles que sofrem com os vícios em geral.

              Na redução de danos o objetivo é largarmos a substância, mas o acompanhamento médico se faz necessário, como uma multidisciplinaridade que nos auxilie no sentido de levar-nos a um bom andamento clínico e espiritual, rumo à libertação, não apenas do cigarro de tabaco, como de todas as dependências que assolam um mundo tão afeito às adições como um todo, em seu leque variado que, por mais funcional que alguma substância e seu uso possa parecer, a sua essência vai ser sempre a violação do nosso corpo, mente e espírito no sentido de usurpar de nosso ser o segredo de uma vida melhor, que é a mera normalidade...

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