terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A INVERSÃO DOS VALORES NA NOSSA ERA


              Urgimos por mudanças por vezes radicais em nossos sistemas, mas não podemos arguir de modo tão lógico sobre o que seriam exatamente essas mudanças, de fatores primários – quiçá – mas que não se recriem novamente esteiras e mais esteiras de vaidades, pois sobre elas reside a engrenagem que nos move, e isso ou esse motor nos possa parecer absurdo, quase sempre, posto a premissa básica é o novo, e a sociedade do descarte passa a funcionar mais e mais, esse mercado como um tipo de deus que a tudo e a todos abraça, e nós mesmos – todos – nos quebra. A premiação imediata, a dopamina barata, o capacitismo como última fronteira da intolerância, e a perdulária forma de que, enquanto alguns – de tanto que possuem – não sabem o que fazer com tanto dinheiro, outros, a grande maioria das gentes, navegam pelas ruas sendo deslocados pela vigilância brutal, que por vezes, a mando de Governos déspotas, sequer quer estabelecer vínculos maiores com os CAPS ou assistências federais.

              Alguma coisa não cheira bem no ar, nessa atmosfera de desavenças, de festas de um Carnaval onde nada faz muito sentido, onde as drogas se acumulam, e onde o trabalhador brasileiro apenas traça rumos para uma quarta de cinzas ainda mais melancólica, mas sempre com a anuência de que será no escopo de que seus valores ainda não sejam totalmente relativizados pela “uberização” de nossa economia, que não valha menos do que a suposição de que estaremos mais felizes sem a intervenção que seria bem-vinda em certos Estados da Federação, de Natureza fascista. Mas não, efetivamente só são punidos aqueles que colocam a mão na massa para tentar golpear a nossa democracia, e esperemos que ela se fortaleça cada vez mais para que se torne mais sólida e estável quanto as maiores do planeta. Modos de ser encapsulam multidões, e o fascismo é um deles. A extrema direita, como se apresenta hoje, é uma de suas vertentes, e uma tendência não apenas mundial, mas naqueles que se dizem de vanguarda espiritual, mas não passam de baixas frequências energéticas. Diz-se que não há para se ter rancores, isso não deixa de ser certo, mas não podemos baixar a guarda, e estarmos sempre em um tipo de samadhi, de acordo, com um “transe consciente” para não permitirmos que esses reacionários avancem demais sobre o nosso país, combatendo frentes internacionais para prevenir a sua vinda, preservando o nosso melhor viver aqui, sem as sombras dessa ganância que tanto assola o nosso puro modo de ser.

              Alguma coisa evanesce, a mera questão das trocas de mercadoria, a velha história dos conflitos comerciais internacionais, a competição inescrupulosa, a inversão inequívoca de valores que sempre fizeram parte da história, mas que em nossos tempos se tornou a peça fundamental para que se tire do planeta o residual, e se transforme o ser humano no resíduo existencial de sua própria raça, essencialmente falando, onde muitos caem no ostracismo sem sequer terem a força de trilharem caminhos igualitários e humanos de oportunidades. Acresce que a essas questões a engrenagem dos tempos contemporâneos se dá através de um sectarismo, com a tecnologia como ela é empregada, mas no âmbito de uma vida de ganhos, os gadgets trouxeram sem dúvida maior possibilidade de comunicação, mas tudo passa pela questão da velocidade como isso se tem processado, não apenas no ato mas no pensamento do ser humano. A ansiedade gerada por níveis excessivos de drogas se atenua para muitos no uso de drogas como a maconha, ou por consequência dos diversos usos recorrentes de coca e similares, as drogas psiquiátricas e seus tratamentos compulsórios.

              Chega uma hora que um aprendiz quer colocar as coisas na prática, mas o ideal é que se tenha tido uma boa experiência na busca pelo conhecimento, e um ancião pode se tornar aprendiz depois de passar muito tempo na ignorância, assim como um viciado pode largar uma droga, sendo na prática um oficioso membro de uma prática que passa a levar a termo, depois de estar sendo vilipendiado por ela por muito tempo, tornando-se ao mesmo tempo seu próprio instrutor e seu próprio aluno. Se é o que está pegando na aura de um ser humano, a questão do alcoolismo, do tabagismo e das drogas em geral, roga-se que se amplie os níveis de consciência ao menos para que se largue esse círculo vicioso, bem como a questão de reuniões de recuperação que podem tornar o ser adicto às possibilidades de estar afeito a poderes superiores que por vezes nada têm a ver com Deus ou algo similar, como uma espiritualidade, esta mesma que nega a religião como algo proibitivo, e torna fanaticamente uma doutrina como algo a ser seguido por um viés programático na visão de algo caótico por vezes, alicerçados certos membros e fundadores à função de pequenos deuses da humanidade, mas que na realidade determinaram convencionalmente uma parcela enorme de Poder, inequívoco, mas inevitavelmente despótico e hipócrita, na acepção de que a crítica venha a funcionar mediante as mudanças que não acontecem, e que tradicionalmente vêm estimulando fissuras egocêntricas na maioria dos citados membros, que fazem parte de estruturas que por vezes só fazem ruir a sua origem original, por razões de competição pelo poder...

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