terça-feira, 14 de outubro de 2025

O VERAZ E O CONTUMAZ


                A verdade não seja uma página que viramos, posto questão eterna, perpassa os séculos ad seculorum. Não fosse um dia apenas, um algo, um quê de veneno que se nos nuble por vezes, esse ósculo de uma serpente que encontramos e que, triste víbora, acabamos por pisar em seu corpo, não, não que não mereçamos, mas sim, que lhe seja peculiar se defender, pois não há cobras que não defendam seus ninhos, e jamais parte uma para agredir a sua presa, quando muito maior do que ela, tal qual um ser humano. A serpente golpeia, quando uma naja, com a ciência contumaz de sua dança, apesar de possuir um forte veneno, mas será nas pequenas víboras que esse assume peculiarmente uma letalidade crítica... Pois sim, por vezes nos pegamos, homens, tais e quais inoculando nossos venenos a torto, e a direito! Que estranha pintura não faríamos quando cuspimos nossos excessos, quando exalamos nossas faltas. Não seria tão simples sermos tão contumazes dentro da veracidade, principalmente na atualidade, onde o ser que se passa por quase humano em suas “indubitáveis” atitudes, meramente veste o manto da sagacidade e da circunspecção e, no mais das vezes, age na contra parte do que seria a farsa, uma toga que não existe de fato, o fato de querer julgar sem ser juiz, de julgar um juiz, como se este não fora de fato o crível, a possibilidade, o fato, o ser que julgue.

                O ser que passamos a ter como diáfana e ao mesmo tempo paradoxal concretude, é o mesmo que no “outro” se torne uma simples questão de caráter, e sua reforma é pactualmente importante nos dois polos da mesma moeda, no semblante de valores que não termina esteticamente, mas se dá na forma em que dinamicamente o processo não se esvazie ao ímpeto de formalmente, repito, estarmos em uníssono com a mesma união do mesmo ser do outro que negamos por todo o tempo, em muitas ocorrências, no aspecto existencial e inerente principalmente ao escopo individualista, acima de tudo, pois de dois em dois, ou somando-se mais um todo esse Ego se dilui e parte para um aspecto mais totalizante do verdadeiro eu, ou na sua essência mais sensata. Essa sensatez de um juízo mais válido, inerente a uma crítica da razão, esta mesma razão que negamos muitas vezes, e que comporá em sua contrapartida a crítica veraz, e ao mesmo tempo, com a contumácia da experiência, ao menos nos torne mais conscientes do que o que vier tangenciando com o tempo nada mais é do que o espelho narcísico onde os erros da serpente acima citada não supõe sequer nos erros de Eva, mas na moralidade tácita de desfilarmos por entre as gentes com engrandecimento humano de estarmos vivendo uma necessária alteridade, por sabermos que muitos necessitam de ajuda, e não podemos conceber ficar com os braços cruzados, no sentimento qualquer de ao menos poder olhar para toda essa questão com os olhos mais compassivos...

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