A
verdade não seja uma página que viramos, posto questão eterna, perpassa os séculos
ad seculorum. Não fosse um dia apenas, um algo, um quê de veneno que se
nos nuble por vezes, esse ósculo de uma serpente que encontramos e que, triste
víbora, acabamos por pisar em seu corpo, não, não que não mereçamos, mas sim,
que lhe seja peculiar se defender, pois não há cobras que não defendam seus ninhos,
e jamais parte uma para agredir a sua presa, quando muito maior do que ela, tal
qual um ser humano. A serpente golpeia, quando uma naja, com a ciência contumaz
de sua dança, apesar de possuir um forte veneno, mas será nas pequenas víboras
que esse assume peculiarmente uma letalidade crítica... Pois sim, por vezes nos
pegamos, homens, tais e quais inoculando nossos venenos a torto, e a direito!
Que estranha pintura não faríamos quando cuspimos nossos excessos, quando
exalamos nossas faltas. Não seria tão simples sermos tão contumazes dentro da
veracidade, principalmente na atualidade, onde o ser que se passa por quase
humano em suas “indubitáveis” atitudes, meramente veste o manto da sagacidade e
da circunspecção e, no mais das vezes, age na contra parte do que seria a
farsa, uma toga que não existe de fato, o fato de querer julgar sem ser juiz,
de julgar um juiz, como se este não fora de fato o crível, a possibilidade, o
fato, o ser que julgue.
O ser
que passamos a ter como diáfana e ao mesmo tempo paradoxal concretude, é o
mesmo que no “outro” se torne uma simples questão de caráter, e sua reforma é
pactualmente importante nos dois polos da mesma moeda, no semblante de valores
que não termina esteticamente, mas se dá na forma em que dinamicamente o
processo não se esvazie ao ímpeto de formalmente, repito, estarmos em uníssono
com a mesma união do mesmo ser do outro que negamos por todo o tempo, em muitas
ocorrências, no aspecto existencial e inerente principalmente ao escopo
individualista, acima de tudo, pois de dois em dois, ou somando-se mais um todo
esse Ego se dilui e parte para um aspecto mais totalizante do verdadeiro eu, ou
na sua essência mais sensata. Essa sensatez de um juízo mais válido, inerente a
uma crítica da razão, esta mesma razão que negamos muitas vezes, e que comporá
em sua contrapartida a crítica veraz, e ao mesmo tempo, com a contumácia da experiência,
ao menos nos torne mais conscientes do que o que vier tangenciando com o tempo
nada mais é do que o espelho narcísico onde os erros da serpente acima citada não
supõe sequer nos erros de Eva, mas na moralidade tácita de desfilarmos por
entre as gentes com engrandecimento humano de estarmos vivendo uma necessária
alteridade, por sabermos que muitos necessitam de ajuda, e não podemos conceber
ficar com os braços cruzados, no sentimento qualquer de ao menos poder olhar
para toda essa questão com os olhos mais compassivos...
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