sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O PURISMO EXISTENCIAL

 

                Quando pensamos em sermos seres que têm uma vida mais harmônica com o nosso entorno, quando acreditamos existir uma civilização de maiores luzes, mesmo com a ausência de sincronia de eventos do escopo da civilização tal qual a conhecemos, com seus materialismos e displays, e seus objetares de consumo e hedonismo, como em algo que nem sempre explicamos à luz da razão e da ciência ocidentais. Encontraremos, no entanto, sincronia em nossa ação e pensamento, como em um oráculo de I Ching, percebemos a citada sincronia, por vezes em alguma parte de nosso mesmo ser, assim de tal forma a astrologia, feita conforme a disposição dos astros, efetivamente, e seu mapa correto e correlato. Como se espelhássemos internamente uma conformidade com uma harmonia interna, que talvez fosse a mesma sincronia com o cosmos, ou mesmo com a espiritualidade latente em cada um de nós. Com a física quântica, já temos essa noção sincrônica de eventos, que antes era explicada conforme o Tao, as energias que se sucedem e alternam onde o positivo começa no término do negativo, e vice e versa, assim como ambos existem e estão incluídos um no outro, em um ciclo que se cumpre em mutação constante.

                O purismo em estarmos cônscios da Natureza do ser em relação ao cosmos, não nos reduz a que sejamos meramente empíricos enquanto homens da ciência, mas, outrossim, seres irmanados espiritualmente com algo maior que explica consonantemente que, mesmo a ciência – esse território inexpugnável onde o possível sempre se abre para novas descobertas dinâmicas – deduz que mais tarde o que era antes, por vezes há milênios em ditas civilizações, suas tradições e processos anímicos passam a tomar mais sentido quando a ciência abraça coisas que sequer a imaginação mais fértil de décadas passadas ousaria crer, como agora, nas ciências do atomismo, e na teoria da cordas, em uma nova física que se apresenta para a humanidade. Essa revitalização de um encontro com a sabedoria Oriental nos remete que como no I Ching a sincronia supra citada já explicaria o spin atômico como algo que em um simples gesto das varetas seria uma leitura de um feito ou de uma equação onde a disposição das varetas seria uma forma de um mapa de astrologia, o ser em questão com o mapa dinâmico, no seu nascimento, o hexagrama seria a forma em si, dos astros, e a leitura da citação dos hexagramas no oráculo a interpretação astrológica, quando se respeita a atualização cósmica do céu em seu tempo relativo. Um purismo refletiria a tranquilidade em suprir necessidades que transcendessem a babilônia Ocidental, seu inconsciente totalmente espedaçado e as incongruências relativas a insumos de Natureza das doenças mentais que já acometem o ser dentro da civilização que desponta com conflitos de toda a ordem, conflitos esses gerados mesmo em questão de que o arcabouço histórico do Ocidente já perde na sua acepção cristã sua essência mais importante, que é o desapego da matéria e uma vida em mais austeridade e simplicidade...

                Quando surgem muitos templos que pregam o Evangelho, quando isso se torna quase um lugar comum, quando a Bíblia vira um “negócio compulsório” em muitas esferas, inclusive a política, Deus se torna palavra vã e a banalização do Cristo aparece em muitas seitas da prosperidade, onde se prega a céu aberto que vai aos céus aquele que conseguiu ficar rico, que a prosperidade material se torna uma bênção, e não demanda muito a não ser que tenhamos que pagar uma parte do que recebemos arduamente em nosso trabalho, para que recebamos “em dobro...” Essa saturação da cristandade nas Américas e Europa dá sinais de que as religiões e crenças orientais tomem uma forma mais consistente, principalmente quando já revelam que muitos dos seus conhecimentos espirituais se mesclam à realidade da ciência atual e há promessas cabais e civilizatórias de que a vereda não termina por aqui, e que teremos muito a aprender com a sabedoria Oriental, em todos os seus quadrantes.

                A influência inequívoca dessa questão toda é que mesmo a matéria substancial, mesmo o surgimento da eletrônica e todos os seus recursos, não indispõem àqueles que optam por um purismo existencial, por uma vida mais simples e, no entanto, com mais profundidade anímica, que surjam novas frentes de atuação mesmo no Ocidente, e que pensadores como R. Wilhelm e Jung ponteiem como novas modalidades existenciais, e que muitos dos males mentais, como as faltas que se nos dão os preceitos que não cumprimos, ou que as guerras impingidas por outrem por receios de geopolítica fracassada, ou mesmo as guerras religiosas ou dessa Natureza, venham a sucumbir ante as ferramentas civilizatórias da humanidade, que faz com que países de alma generosa possam cumprir com seus governantes a missão de espalhar a modalidade da libertação e da mescla cultural com as coisas positivas do planeta, posto será na vida que surgirá a vida, e no livre pensar que surge um conhecimento que dê margens a que se possa abrir e expandir nossas consciências.

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