A
questão de sermos seres gregários remonta toda a história da civilização. Com a
maravilhosa engenharia da inteligência artificial, a pesquisa tem se revelado
promissora, e toda a tecnologia tem estreitado laços com a humanidade, e antes
o que você esperaria de alguém que aparentemente não “fala a mesma língua”, podemos
estreitar igualmente laços, tentando nos comunicar com diálogos possíveis,
dentro da estrutura existencial onde esse “outro” nos permita inclusive
aprender com novos vocabulários, encontros de geração, etc... É como o ofício
de sermos professores, falamos aos alunos o que eles querem escutar,
independente se acreditamos nas mesmas coisas, pois agregar o conhecimento para
aquele que seja receptivo é sempre melhor do que falarmos com verdadeiras paredes,
que no seu orgulho, pensam que tudo sabem, e ninguém sabe o suficiente, pois em
resumo, todos somos eternos aprendizes.
Podemos
ter uma forte crença, e em outras sermos aquilo que somos independentes de estarmos
em algum lugar exercendo nossa fé, ou simplesmente contemplando o mar, ou mesmo
consumindo um refrigerante e lendo, estudando, no que seríamos mais inofensivos
do que uma rocha imóvel, mas o importante é que estejamos firmes no leito da
Terra. Este é o nosso mundo e não será jamais algo que venha de fora de nós
mesmos que nos colocará diante de outro ser que não somos, a não ser que nos
agregue mais conhecimento, vivência, experiência. E, dito isso, quando a
experiência é espiritual, convenhamos, você pode ser filho de um mestre
espiritual que tenha falecido já há razoável tempo, como Srila Prabhupada, mas
quando você vê a imagem dele, você pode considerar ser seu filho dileto, e estar em
sua casa, escrevendo, sob os auspícios da presença cálida e presente de seu
Pai, aquele que lhe diz e orienta tudo ou aquilo que você tinha se esquecido de
seguir, como uma meditação que fizera de manhã, e como o dia pode ser mais
pleno quando a limpeza da poeira acumulada em sua mente se fez presente no
simples cantar do mantra.
Não
importa se o espelhamento tácito e fiel de nossos atos não seja de uma determinada
denominação religiosa mais oficial, mas o que importa é que já podemos
conversar mais francamente com qualquer pessoa, inclusive aqueles que muitos sequer
dão seus ares de olhar, pois supostamente prosseguem tendo a empáfia de
pensarem pertencer a uma classe social que não lhes permite conversar com aqueles
que preconceituosamente enquadram por comportamentos que não lhes agradam, ou
mesmo por histórias ou discursos difamatórios que escutaram a respeito de que
quer que seja. Esse soturno véu faz com que muitos ainda partam para ações que
sejam mais hostis, no sentido igualmente de crerem que um cidadão seja de uma
posição ideológica que com eles não há compatibilidade, e aí estarão com seus
ouvidos seletivamente preparados para não se comunicarem de forma alguma com
essa gente, com esse ser humano, quiçá talvez por não gostarem do que ele
comunica, ou de sua franqueza ou espontaneidade de caráter. Diferentemente do discurso
de Jesus Cristo, quando afirma em Mateus 7:6, “... não deiteis pérolas aos porcos...”,
no sentido de não se dar àqueles que jamais considerariam uma questão de
mensagem, quem sabe quando você conversa com alguém, de modo que nada haveria
de demover o sujeito de sua posição, quem sabe na mesa ao lado, ou no banco de
uma praça, alguém escutaria a mesma mensagem e consideraria como verdade algo
que muitos de modo hostil e preconceituoso podem considerar manipulação, ou
dissimulação, mensagem endereçada, ou mesmo carregada de cunhos políticos, casuísticos,
ou professorais de “meia tigela”!
Isso
efetivamente pode ocorrer nas demandas onde alguns seres humanos já saem de
casa ou de seus ofícios determinados a certas “missões”, muitas vezes, como foi
citado, de Natureza ideológica, de pensamento, de religiões e ortodoxias desse tipo,
entram em terreiros de candomblé quebrando materiais de culto, ou fazem coisas
que não são boas para a humanidade. Isso pode ocorrer, mas já há mais controle
e a sociedade já está mais civilizada para que essas intercorrências já não
ocorram com facilidade. A demanda espiritual na dita sociedade em que
participamos enquanto cidadãos prima pela convivência pacífica entre seus
membros, e será sempre nesse escopo que podemos nos irmanar e evitar as
controvérsias tão comuns por vezes em que vislumbramos, sim, através de nosso
próprio julgamento antecipatório e excludente, de que aqueles que não pensam
como nós seriam merecedores de nossa, igualmente, intolerância para com eles.
Portanto,
há dois pesos e duas medidas: àqueles que porventura estaremos internamente “julgando”
serem pessoas que não se manifestam em seus silêncios por estarem com alguma
diferença, ou mau humor, simplesmente podem ser inibidos por Natureza, podem
ser mais refratários, podem estar em um ambiente pela primeira vez, ou mesmo
estrangeiros que sequer, e de fato, não falam nosso idioma! Havemos de ser complacentes
e estabelecer pactos com diálogos ditos civilizados e de bem portar-se aos que
pretendemos, com o nosso feeling, poder ser, sentir a empatia, a abertura, mas
a cautela em evitar ambientes onde estarão já bem embriagados ou fazendo usos
de substâncias ilegais, ou comunidades insalubres, aí sim, não sendo da classe
social equivalente, convém sempre esse evite-se. Mesmo porque o alcoolismo,
para quem já está livre dele, não é uma boa pedida para resguardarmos em nós
mesmos o domínio que conquistamos em virtude da sobriedade, e para isso mantermo-nos
seguros e nos comunicarmos dentro das nossas possibilidades, remota ou
presencialmente, é a melhor pedida.
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