Aquilo
que não discernimos bem como o “desconhecido”, um enigma, um acaso, uma chave
que achamos na rua e “imaginamos” que abra alguma porta: esse ser estranho do
que não achemos por vezes saídas fáceis em nós mesmos, esse ser que se nos
brota de muitos lados, o ser do “outro” que não vemos em nós mesmos, esse ser
que desconhecemos, conforme o citado acima. Quem sabe pode ser algo que fale
mais alto a uma vida mais espiritualizada, que se revela no céu, que se revela
na vida que flui no asfalto, na luz de uma casa quando a noite se abre, que
está nas estrelas nada fugidias de tão sólidas em suas posições, na lua que nos
“bebe o olhar”, enfim, esse ser que é a possibilidade de estarmos
silenciosamente nos esquecendo de irmos ao primeiro gole do vício, ao primeiro "teco" da noite, à primeira fumada de um baseado, ou mesmo, trôpegos, a uma
jornada exaustiva que nos leva, exangues, a uma comunidade para fumar aquela
pedra de crack que tanto trabalha-se para obtê-la, no fim da peregrinação
rumo ao nada. Tudo aquilo que nos fissure, desde um trago até uma tragada de cigarro, companheiros, são coisas que caracterizam um vício, uma dependência de substâncias. A ausência dessa substância no começo pode nos fazer sofrer, assim como quando usamos uma droga por vezes o sofrimento vem na forma da doença mental que pode nos acometer pelo uso continuado da substância, ou na forma de um enfizema, ou doenças coronarianas ou mesmo o câncer quando do uso do tabagismo: tanto a dependência do álcool e drogas é considerada uma doença, assim como efetivamente o que pode acontecer no uso continuado, na forma de outras comorbidades. Mas será muitas vezes a dor na alma que faz o ser humano consumir a substância qualquer, uma dor que o faz se anestesiar, buscar uma fuga, um escape, um pretexto, e o que antes pode ser uma forma de diversão, em alguns casos, torna-se em grande parte a citada dependência, quando a abstinência nos torna reféns da substância que ingerimos para "sedar a dor".
Os dedos por vezes cansam sob o tremular da digitação incessante de um escritor, seus relatórios, seus ofícios, mas por vezes a mensagem é algo que o faz prosseguir, como o pianista que teve paralisia em seus dedos e voltou a tocar o instrumento, pois pode fazer parte de sua missão espalhar uma consciência particular e espiritual que o fez prosseguir, quiçá de modo estoico para revelar a sua experiência espiritual, como fluiu a sua vida e como podemos superar desafios os mais pungentes em nossas vidas...
O que se vê na noite de um domingo, em certas ruas é, graças a
Deus, um silêncio, um descanso, aquelas almas que se recolhem e sabem que o
melhor a se fazer é pararem com suas dependências, recriarem laços com a
sensatez, pois o final de semana, por vezes no afã, na explosão de se usufruir
de momentos efêmeros, onde o álcool e as drogas assumem um viés quase
terminante, onde muitos ingressam em hospitais com suas lesões, onde inúmeros
são internados na psiquiatria, entre jovens e velhos, moços, entre a madurez de
suas certezas e a juventude de suas dúvidas.
Na realidade,
a espiritualidade se revela em um homem que volta seus olhos para o próximo, a
possibilidade concreta de, em nome de algo que lhe seja de monta um Poder
Sagrado, lhe possa conferir a melhora substancial de que o que de manhã poderia
lhe parecer um tormentoso momento, o de sempre, resultado de seus erros do passado,
que essa singela singularidade se nos pareça a quem vier, que seja um momento
de reflexão de que será sempre na recuperação e preservação da psique através do
reino espiritual que o processo de cura se dá, como que por milagre. Algo que
esse homem aprendera de caminhos de caminhantes, e sua serenidade espiritual,
existencial, anímica, psíquica, mesmo abraçados por uma vida materialmente miserável,
mesmo que carreguem duros fardos em seus ombros, como pequenos discípulos do
Cristo na questão da penitência e do sacrifício de seus dias.
Em
verdade, em nome de Deus, o Deus que este que vos escreve quiçá veja uma ínfima
fração, mas que em sua onisciência não posso sequer conceber, em nome Dele as
coisas não se tornam coisas, o ser humano passa a ser tratado com igualdade, e
quem sabe um opressor faça brotar em certos momentos a ternura que descansa em
paz somente sob as sombras de grandes homens e mulheres...
Sim, é
possível termos a fé inquebrantável, mesmo que alguns dias não sejam muito
bons, mas há daqueles, firmados como em um contrato divino, onde estabelecemos
laços perpétuos com o amor que se nos brota sem a tradução quase livre que o
cárcere das batidas de nosso coração nos faça crer também no sangue e nas trocas
gasosas, pois nem só de oxigênio vive o ser humano.
Aquela
gratidão à Nise da Silveira, a tantas as mulheres que, ainda entre nós
relembram a mesma espiritualidade e altruísmo de se fazerem valer de uma honra entre
os homens por existirem, sua capacidade de liderar, de serem organizadas, e dignificar seu
papel entre as melhores criaturas que alguns homens têm a honra de conhecer, e fazem de alguns homens, que porventura sem dúvida também gostam de ajudar aos
próximos, uma questão espiritual intensa que rende frutos justamente em dias
onde o rancor sobre algo passa a não mais existir, e onde a comunhão entre os
seres humanos, independente de que ou do que sejam, transcende tudo e todos na
esfera planetária, mesmo as contendas mais cruentas, os impossíveis tratados de
paz, ou aquilo que a luz nos traga em seu berço o ventre mesmo de todas as mulheres
sagradas que de si e para si tem crescido no grande enigma de sua participação
nas sociedades, como pessoas notáveis que merecem ter o reconhecimento
inegável de todos os setores sociais, bem como na esfera existencial a
consagração primeira de seus papéis como participantes dessa nova humanidade
que desponta...
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