quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A AUSÊNCIA CONSCIENTE E A PRESENÇA INCONSCIENTE


                Precisáramos falar de coisas como a hipocrisia, a desavença, as coisas da Era de Ferro, Kaliyuga, ou mesmo nada com coisas que não fossem principalmente estratégias conscientes com outras inconscientes de se portar, quiçá com mistérios onde se nos brotem escalas e símbolos, metas e objetivos, alvos e setas lançadas, dardos flamejantes daquele ódio atávico ou rancores, simplesmente, ou mesmo nada disso, senão um texto simplesmente ou colocação do dadaísmo... Sim, se não fosse isso: o inconsequente modal do não ser, do ilógico, do opaco transparente, do verde dentro do ócio, do vermelho sem partido, ou do branco nos cabelos de um homem negro.

                As crenças se sucedem, e suceda que a ação, experimental ou não, de quem meramente observa uma peça, algo de ensaio, um experimento, algo que não transcende pois não é uma presença qualquer de fato, senão um teatro causal de falsas marionetes, quem sabe, algo planejado, quem sabe, se com vítimas ou não ou mesmo quem saiba se em uma plenária de um congresso a coisa não fosse mais verdadeira, pois efetivamente é, já que as pessoas que lá estão efetivamente estão no Poder... Os sonhos mais infantis fazem parte da ausência inconsciente, da ausência-presença do outro em nós, daquilo que fôramos e temos medo de encarar, um pedaço de nossas vidas, algo que remonta quiçá o próprio nascimento, algo que venha da gestação, algo subterrâneo, os escombros do que fomos mais adultos, na criança que não fomos na infância.

                Seria a página de surrealistas em sua poesia a solução para os sonhos que deixamos por dentro da nossa virtude, ou será que nosso imaginário povoa a criatividade em seus processos, estes que brotam de arquétipos mais antigos do que a própria cultura encerra em seus planos mais sombrios? Por que ficamos doentes da mente, se na verdade quiçá ninguém mais viaje dentro de sua cachola ao menos para sonhar acordado, senão fumando da erva maldita ou qualquer outro ópio como o crack e afins? Ninguém mais é capaz de sonhar e de ser artista, e existe uma “argumentação contra a morte da arte”, livro famoso de Ferreira Gullar. Não seremos mais artistas, sejamos filósofos então, dadaístas, surreais, poetas, desenhistas em papel de pão, secretários de grupos de ajuda ou mesmo amigos de pessoas que catam latas na rua, pois erradicar aquilo que não tem presença mas que reside no inconsciente é como extirpar um câncer sem o possuirmos. E não estar presentes no processo de nossa consciência por vezes evidencia um descaso com o outro, de merecimento ou não, simplesmente uma regra danificada em nosso ego falso de que teríamos mais importância do que o nulo que nos tornamos a cada dia. Como dizia aquele homem: “apetece-te uma vulva, meu camarada? Cuida que não frequentes uma que tenha muitos donos, é apenas uma dica...”

                A simples questão de citar algo, de se expressar, de fazer um chiste, uma troça hoje, já é confundida com leis que restringem cada vez mais os movimentos dos cidadãos em nosso país, posto na realidade, o que resta é sabermos que a ofensa não existe de fato se alguém se sente ofendid@. Pois que a presença da ofensa reside no inconsciente, muitas vezes, e antes o que era já de um ressentimento concreto, mais do rancor, do ódio latente, por vezes lancinante, e cabalmente estudado em todas as suas frentes, cabendo aos agentes que o praticam por vezes darem de si e das suas caras, ou meramente e confortavelmente serem contratados para reprimir ou tentar coagir um cidadão, julgar por tabela o Presidente Justo de uma nação, tentando atingir, com sua ausência consciente, ou seja, na estratégia do oculto auto justificável, denegrindo e agindo com o dolo da ação mais perversa, isso faz parte de um arquétipo indiscutível no ser humano, que é o mal, a maldade, representado pela covardia e outros signos diabólicos, pois o satanismo é uma forma de rebeldia covarde e disfarçada, com medo de retaliações pela Verdade Cristã...

                A grande coisa libertária do amor livre, daquilo que não tem freios, do ser Quasímodo que deu certo, que não precisa enfrentar as gárgulas da Notre Damme... E, corcunda e medonho, vive a sua história de amor – inclusive carnal – com a sua adorável mulher! E eis que de repente um paulista meio metido poderia falar: “bicho loko, meu!” hic, sem pretensões maiores, um intervalo na obra de Mozart em um Konzert für Fagott nos enleva a prosseguir, sem maiores provações... Tocaríamos o eixo de uma carne, os seios, as pernas, o dorso, ou simplesmente comemos em um buffet de fundo de quintal em um café de quinta, a carne aquecida e seca, comendo e comendo, sorvendo com coca zero o boi que matamos todos os dias, em nome de que, de amor?

                Como no seminário de Lacan sobre os tolos, todo um estudo sobre a colocação dos tolos enquanto motivação de estudos, pode uma coisa dessa, que estado de inconsciência na presença de certos assuntos, que há estudiosos ainda que se debruçam sobre isso, pois a análise, irmãos, para a burguesia é cara e longa, uma terapia e tanto... Mas na realidade é nos espertos que a sociedade deposita seus créditos: nos malandros, nos vis, naqueles que jactam-se mais rápidos, nos espíritos de répteis, naqueles que fumam seus baseados e saem a copular que nem fariam cães, nem eles fariam assim...

                A presença do que não é, do que não existe, naqueles que não alcançam, não sabem nada de história, são trabalhadores rotos e rasgados, não possuem senão a inveja de não terem posição, mas isso é natural da classe, pois não possuíram educação para tanto, não se esforçaram e hoje amargam suas posições de classe inferior, na luta desumana de estarem nas mãos dos empresários que empregam sua força de trabalho para engordar seus cofres na forma já atualizada da antiga mais valia. E no entanto, paradoxalmente, se julgam donos ou detentores de algum poder, quando negam um Governo mais popular, que ainda reconstrói laços trabalhistas e permitem a esses trabalhadores uma instituição que lhes garanta os direitos baseados na Constituição da República. Em síntese, são trabalhadores, em sua maior parte meio freelancers, que emprestam sua força de trabalho para servir a interesses fascistas, e tentarem subverter regimes que mais não fazem do que manter a dignidade democrática nacional, dentro de um nacionalismo possível e democrático.

                No mais das vezes, essa presença de um inconsciente trabalhador, e sua inconsistência ideológica mais não faz do que trabalhar com sistemas em que acaba por sofrer por temer a ausência consciente das drogas, e teme que as patrulhas da lei não lhe permitam usufruir desse estilo alienado de vida, que gira em sua mente a cada dia que passa, lhe colocando mais e mais ideias de subversão e empedrando os meios que empreende a cada dia para um dia crer piamente que estará chegando às fileiras de um exército de libertação, que mais não seria um exército que considera o domínio imperial seu chefe, e age – em alguma parte do citado exército – no sentido de servir a interesses desses dominadores, e usurpadores do bem estar dos cidadãos que lutam dia a dia para prosseguir vivendo e trabalhando arduamente para manter ao menos a dignidade que confere à sua existência, finalmente, cumprindo uma presença conscientemente...

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