quinta-feira, 24 de julho de 2025

AS CLASSES E OS PADRÕES DOS ESTIGMAS SOCIAIS


                    Para grande parte das pessoas, pertencer a uma classe social é algo bom, e para outras não é tão satisfatório. Hoje, há um tipo de padronagem que estabelece estamentos, volatiliza a fluidez do diálogo, que se torna tão diáfano e representativo no molde de que meramente um consumidor possa estar “produzindo o seu ato de consumir” como se fizesse parte de uma indústria capacitada a não diferenciar mais a sua classe das demais, nesse determinado aspecto. Diversas modalidades dão esse poder manifestamente das escolhas no plano que se torna principalmente o conceito em si, sem se darem conta os consumidores, mas apenas sentem-se aptos não só ao ato do consumo, como no ato afetivo, no ato de recusar relacionamentos que não lhe proporcionem prêmios tais como a intoxicação paralela e outros subterfúgios de fuga, bem como nas assertivas que empreendem como opinião franca da verdade sobre tudo e todos, como se o consumo, as redes, o contato com o eu invisível mas variegado em multifárias expansões da eletrônica os fizessem independentes, em sua essência. Há um constructo que paulatinamente vai diluindo o eu mais interno e autêntico, que se perde na indústria cultural e remete ao que as massas vão conferir aos seus agentes, porventura quando sentem a ilusão – por vezes verdadeira – de que tenham se tornado, um ou uma, ou ambos, a serviço da mesma engrenagem de um sistema nulificante do ser. A questão de quem somos diante de nós mesmos: não somos mais nada, e nem estamos mais em lugar algum, mas registramos tudo e todos como se nos tornássemos atores de uma grande cena comum àqueles que porventura têm a oportunidade de serem nossos avatares e líderes, como os influencers mais diletos, os youtubers, ou quaisquer anglicismos de rótulos prontos paradoxais e simiescos dessa Natureza.

                    Nenhuma ação do “Macaco Nu” de Desmond Morris existe sequer sem a anuência do smartphone e nada passa sem o crivo de nossos contatos, macacos que involuímos e voltamos a subir nas árvores, pelo visto, à mercê de forças que nos impelem para o prêmio, ou o “mais gozo” lacaniano que é justamente o não prazer que não tivemos a honra de merecer, porquanto seríamos mais belos no ricto da face quando encontrarmos aquele momento em que muitos seres humanos “aflorados” despontam solenes por viverem “do lado normal”, anestesiados pelo soma huxleyniano de suas certezas absolutas. As classes passam a ser instâncias de objetos orientados por sistemas de OOP, ou programação computacional voltada a essa mesma questão: os objetos, as classes e as instâncias. 
                    A dopamina de um ser, devidamente equilibrada, torna-se a vantagem de se obter na psicose de certos casos enfermiços um remédio que atenue o sofrimento e os coloque em trabalhos, pesquisando sempre, e atingindo níveis de compreensão, por experiência vivenciada e de cerne compensatório na superação inequívoca e permanente, que a outros só resta assistir, como se fossem atores, mas não autores de suas próprias existências, do que restaria ao enfermo soberbamente assistido pela ciência da medicina psiquiátrica a possibilidade da normalidade e da lucidez. 
                    Só resta ao tempo fazer-se assistir, o tempo como entidade, que nada de pegadas comerciais que se deixam sobre um solo profano vai fazer-se sentir na senilidade da civilização e da cultura, pois aquilo que se compra a mais nada fará desfazer a certeza de que nada somos perante o outro que esquecemos, e que nem os nossos subprodutos, ou nossos filhos, nada deixarão para a humanidade se não forem seres que contribuírem para uma história mais relevante e seus registros concomitantes, pois há personagens na história que são concludentes com uma frase, e jamais serão esquecidos, e a palavra do Cristo está aí para provar “exatamente isso...” Não fora isso suficiente, outros padrões que isentam as classes de sua consciência e de que a sua luta não cessaria com facilitação do sistema, quando por vezes assistencialismos reflexos contra os males erodidos na mente, nada mais são do que o esboço da impotência de um ser humano se sentir realmente representado por algo ou alguém que lhe daria o aspecto amplo de uma cidadania realmente plena, humana e sensata.
                    Os estigmas sociais prosseguem e a ignorância com relação à não existência do diálogo com alguém faz mesmo assim com que haja julgares, ou óticas concludentes sem referência cabal, no teatro de marionetes em que se transforma a certeza sem fundamento, a coisa a si no de per si, como diria Hegel, o essente, ao mesmo tempo dinâmico, ao suprassumir: a forma da verdade em saber do objeto do ser, do concreto, do palpável, existente e mantenedor... Conforme o conhecimento de muitos comportamentos, a forma do comportamento de si mesmo para o outro não passaria mesmo da visão inequívoca, de que a falha comportamental, ou uma ideia não compreendida por aquele ou aquela que não possua estatura intelectual, viraria mero devaneio ou, na acepção mais lógica dos recursos impalpáveis, o julgamento de que um pensamento seja um delírio, ou algo que logicamente não teria a função, mesmo quando embasado em bastiões teóricos, como Freud, Lacan ou mesmo Kant, Marx e Hegel, que foram, entre outros, coautores de um vasto modo de se pensar consistentemente na história do pensamento do século passado... Na vastidão "possível" de se estudar os precursores do pensamento humano, os fundadores da psicanálise por exemplo, em Freud seu tronco maior, sua densidade, para igualmente se estudar a "Fenomenologia do Espírito" de Hegel, muito haveria de se contribuir no cenário de boas Academias e Universidades, posto a certeza de que a busca mesma pela vida mais veraz, fundamentada em searas já percorridas por outr@s, se revela nas ferramentas necessárias em que cada qual consiga obter a solução para os seus problemas, mesmo que alguns nos considerem "como um problema", quiçá por pensarmos de forma clara e lúcida, quiçá por existirmos de modo compatível com o bom senso e o humanismo, sem deveras estarmos nos aproximando da compreensão intelectual de boa parcela dos seres humanos que porventura tenham acesso ao que expomos enquanto pensamento vivo, genérico ou pontual...
                    Em síntese, padrões existem em qualquer sociedade materialista em excesso, mas alguns sobremodo enfeixam de tristezas, inquietude e amargura muitos viventes, justamente àqueles que não conseguiram se dedicar aos estudos que lhes dariam mais ciência e espiritualidade de como estão situados no escopo da civilização e da cultura, mesmo os que tivessem condições financeiras, mas que não aproveitaram a oportunidade para tal ciência e determinação de fé, posto optarem por outras atividades, o que não descarta a possibilidade de que a classe originalmente é questão de nascimento, em uma nação extremamente capitalista e patronal, em um exemplo cabal de muitas nações mundo afora. 
                    Independente de quaisquer assertivas da livre expressão, abalizada pela consciência e pelas boas mensagens de cunho construtivo, os debates amplos a respeito não apenas das citadas assertivas de toda uma expressão, seja popular ou erudita são sempre bem-vindos. Bem como na questão das mensagens que mesclem e tornem acessível a informação e o conhecimento para todos, o debate sobre diversas questões é algo mais sublime do que certas pessoas, que tomam a expressão como fundamento em que espelham suas questões ideológicas, tentando suprimir a razão cidadã que sempre deve estar presente no cenário de uma Democracia ampla, geral e irrestrita no cenário Nacional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário