Vemos um
mundo de fracassos... As coisas não terminam, e antes o que seria um estudo
exaustivo de Freud sobre os objetos – que causam as neuroses – o fato de bebedores
compulsivos ou adictos sempre serem neuróticos remonta que a fuga do sistema
está cada vez mais recorrente e, com razão, complexa. Jung já falava nos complexos
como tipos de células que invadiam o ego, com vida própria, poluindo de traumas
e histórias passadas, como se tivessem vida própria, onde seus volumes
sufocariam a normalidade e dificultariam sua cura. Fatores como o inconsciente pessoal
e inconsciente coletivo transpassam a compreensão mesma do amálgama que se
torna a psique humana, e será nesse mar inconsequente que, no panorama da
medicina, se abraçam tantas as questões da humanidade. A sociedade de consumo
descartável, do perecível, dos produtos com prazo de validade posto através do
pragmatismo na fragilidade de suas peças, impõe as regras para que o sistema
nunca termine com mais duração do que meses ou semanas. Validades alternas
surgem, surgem necessidades nunca antes existentes, e o robô passa a ser de
importância afetiva, como um silicone de carinhos. No que projetemos o desejo,
este passa a tergiversar com a curiosidade e, enquanto a indústria sem freios
manda das suas, o meio ambiente sofre com agressões apocalípticas. Geleiras
derretem, matadouros abatem milhares de toneladas de animais, e o carma da humanidade
sofre e aumenta mais e mais no correr deste, que seria profetizado como um
milênio de luz, mas não passa de um vale de sombras... Por isso a importância
de sabermos que, neste mundo, os sistemas nunca estão completos, e ele gira
como um único sistema, perene mas não eterno, pois as coisas materiais tendem a
terminar, e o que antes era um conforto obtido a duras penas pode se tornar uma
situação de miséria absoluta, já que muita coisa evanesce no ar, este éter onde
a ilusão toma a forma da realidade, e esta só existe na crença em Deus, nosso
Pai e Senhor.
Passamos
a ter a Igreja não apenas como lugar santo, como o Corpo de Cristo, mas como base
de tudo e refúgio de nossas mazelas, e lá encontraremos não um sistema
incompleto construído no mundo pelos homens, mas uma estrutura e uma comunidade
eclesial, onde nossa libertação do mundo possa ser levada a cabo. Tudo o que
diga respeito mesmo à recuperação das drogas e do álcool, isso deve fazer parte
de irmandades, mas quando falamos da espiritualidade simplesmente não estamos
estabelecendo paralelos entre essa questão e a religião, pois para quem está na
profissão da fé a permanência e fidelidade no meio eclesial é sobremodo importante
dentro e fora da Igreja, quando pertencemos efetivamente ao reino de Deus, em nossa
vereda devocional mundo afora, mesmo quando nos apercebemos que as coisas do
mundo essencialmente não fazem parte de nós mesmos. É na nossa carne que
seremos tentados, nas coisas do mundo, e na presença do maligno, que, tal qual
uma serpente sorrateira, estará pronta a dar o bote derradeiro. Essa versão
previsível em que o próprio sistema se nos descarta pronto a dispensar de
cuidados aquilo que vimos nos propondo: tentar uma vida sem mácula, sem maiores
pecados, reta e íntegra.
Navegar
pela incompreensão, pela hipocrisia, pelo farisaísmo de muitos, seria algo tão
evidente como transcender a maldade através do perdão, por isso talvez por causa desse fato para os santos
tenha sido tão difícil estar convivendo com os homens do mundo e suas
particularidades...
Nenhum comentário:
Postar um comentário