Convencionou-se
chamar-se o dia o tempo, as horas, igualmente, minutos e segundos... Toda a
técnica humana precisa dessa mensuração, é fator histórico desde priscas eras,
desde que o sol desponta sobre o alvorecer da humanidade, até que se ponha no início
da noite. A física precisa do tempo, o trabalho igualmente, em suas jornadas, o
tempo que temos, o tempo significa vinte e quatro horas: um dia dos 365 de um
ano. A cada mês, a cada estação, que a sentimos como uma mudança e a rotação do
planeta Terra, no ciclo, o ano bissexto e a exatidão de um centésimo. Newton,
em suas fórmulas, necessita do tempo, assim como Einstein prova em sua teoria
que há profunda relação do tempo com o espaço.
A
história, a nossa memória, significa toda a lembrança que temos do passado,
conforme registros, há o tempo em que o escritor faz aquele livro que descreve
os passos de seus dias, ou mesmo um relato de um acontecimento pontual, ou
mesmo no inconsciente, no profundo de nossa psique, é quando o tempo não
acontece do mesmo modo, pois não há propriamente tempo nessa parte da nossa
mente, e apenas conscientemente fazemos brotarem as coisas que estavam ocultas
mas potencialmente emergentes perante uma fala que, a partir do tempo do
discurso, por vezes ilógico, nos aponta detalhes dessa parte do nosso ser, mas
dependemos do tempo para que façamos com que brotem essa parte que permanece
dentro do citado inconsciente: como dados perdidos em algum lugar, informações
que possuem conexões com outras, algo de tesouro perdido que um terapeuta
experiente vai descobrindo, a partir da análise da fala do paciente. Nessa
aparência do tempo, possuímos um inconsciente coletivo, algo que remonta a
culturas mais profundas das civilizações, conforme Jung já previra
conceitualmente no escopo de um ser mais coletivo, através de arquétipos comuns
a vários povos, aquilo que despontaria como um fator mais relevante, como
níveis em que o tempo não importaria mais tanto, mas o arcabouço das
civilizações: suas crenças mais profundas, seus modos culturais, a história
antropológica, o nascimento e morte de certas culturas, a égide de impérios, a
forma de recalques de massas, e outras manifestações do homem perante a mesma
história que apenas o situa perante algo maior que seria um conhecimento que
transcende valores ou estamentos sociais que porventura o tempo convencional
não abraça com tanta exatidão como a natureza da complexidade da cultura
humana, suas relações com a Natureza, e a amplidão de suas origens no planeta,
bem como os mistérios que perfazem a sua existência pela Terra.
Algo do
ser coletivo perfaz algum desses mistérios, algo de “carrancudo”, por vezes, de
humores, da previsibilidade de males psíquicos de origem da qual não conhecemos
muitas vezes toda a sua questão, mas que os níveis de consciência de cada
indivíduo, bem como das massas, no caso de civilizações não tribais, emergem
sob o manto por vezes de uma ignorância monolítica a respeito de uma vida em
espiritualidade, ou no seu modo mais anímico, e sua forma oposta, materialista
ao excesso, que confere certa vanguarda em abordagens filosóficas, mas perfaz a
falta de algo mais na Natureza do homem, porquanto ser que tem necessidade de
alguma fé ou crença, ou rituais, ou mesmo culturalmente, da compreensão de que
muitos são distintos dos demais e precisam ser respeitados em relação às
citadas culturas, sejam essas profundamente desenvolvidas tecnologicamente, ou
ainda em modos não civilizados, conforme os padrões correntes do processo que
denota a progressão da citada tecnologia. A visão de que o homem é por si um
ser altamente complexo, que seu cérebro ainda guarda um potencial imenso de uso
e que ainda resta por crescer em níveis de consciência, de que algo de monta e
de expropriação quase medieval de certas modalidades de trabalho o remetam a um
sistema de valores onde quem perde com isso continua sendo o planeta do qual se
expropriam as riquezas na base da obtenção de lucros desmedidos. O uso
covarde da tecnologia para intentar sedimentar esse poderio sobre povos mais
vulneráveis econômica e culturalmente, é que perfaz conhecermos que muito
haverá de mudar, conforme um tempo que na verdade é relativo perante o escopo
de sabermos que nem tudo o que possuímos é realmente nosso, pois nada mais é do
que a transformação inequívoca que, materialmente falando, fazemos do
patrimônio da Natureza e da vida que teríamos em comum com outros seres... Posto que é o egoísmo que nos faz faltar com relação a obedecer as premissas de que o homem é
mais complexo do que acreditamos, e suas realidades culturais devam ser
respeitadas sempre, condição sine qua non
para que possamos viver, cá deste lado do tempo conceitualmente criado pela
mensuração padrão, ao menos, possivelmente, em mais humanidades e solidariedade
e respeito entre os povos do mundo.
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