domingo, 31 de agosto de 2025

O ROTO E O REMOTO


               Qual posição indissolúvel, é aquela onde a mensagem é um meio que se traduz na não distância, enquanto outras é um tempo que separa quase território-afetivamente dois indivíduos, na questão da espera, na questão da concordância ou não em sua modalidade efetiva, esse estranho parecer intuitivo, a máquina, o objeto, o fato de não sermos bem aquilo de identidade mais substancial, as telas e sua relação bioquímica cerebral de estímulos através de insights e da aventura nem sempre auspiciosa da ingerência da dopamina como droga que possuímos à mão no contato com o display... Qual não fora, as relações de risco com substâncias químicas que podem entrar no processo, seja em home office, seja em um simples encontro casual antes de beber, ou mesmo de conversar em um café. O fim de semana prepara, algures, algo a se fazer a respeito, quando abraça nesse aspecto o hedonismo narcisista, e a ingesta de massageadores do ego falso, quando no pressuposto idiotizante de um careta a coisa destoa pelo ritmo pipocado pelos botões dos celulares e laptops, que muitos carregam na algibeira e que fazem parte da esteira produtiva para se atingir metas ou alvos.

               A separação não existe porquanto nem todos vivem a “Cabana Digital” de Toffler, ou mais suscintamente em um mundo onde tudo que aconteça venha a passar pelas demandas dessa Natureza. O tosco vira por vezes um mundo tomado por inúmeras classes, materialmente falando, e a esfera digital passa por algo similar, quando rotinas de programação se orientam em direção a objetos e classes, em um tipo de comportamentalismo de inteligência na lógica da programação que assume vulto próprio, perfazendo sui generis o que se dá na esfera humana, na acepção crua de tarefas administrativas ou operacionais, em diversos comandos, hierarquização de atividades e até mesmo na questão de existencialismo reflexo, quando a parafernália de diversos setores, áreas e categorias sociais fazem parte da rotina de um sistema objetal, onde a qualidade humana é mero apêndice. A coisa em si vira parte do artifício, ou seja, o comportamentalismo vira moeda de troca, onde o que mais se quer é estar na faixa da normalidade, nem que para isso tenha-se que vestir as roupas que só servem para uma semana, a não ser que sejamos a próxima personalidade da hora daqui e cinco minutos, ou que nosso fantoche digital nos permita navegar diante de uma ilha da fantasia... O que se tem não é sequer sacado no banco, e o que não se tem é tirado antes de chegar a realidade oca de um ser humano na rua. E os dejetos da sociedade de consumo se depositam nos sacos, e estes são vasculhados por mãos sedentas, em uma febril garimpagem insalubre que no mais das contas servirá para se comprar a droga de preferência...

               O que gira é um capital de superfície, no mercado de consumo mais imediato, e quantias faraônicas são negociadas todos os dias sobre os costados da carestia econômica de imensas faixas de cidadãos no escopo global. A ponto de não vermos o exequível, a possiblidade única de sair desse cenário onde Dante descreveria como um adendo em seu Primeiro Canto, posto verdadeiras massas de populações são encaminhadas para hospitais psiquiátricos, drogas são comercializadas ilicitamente e as enfermidades sociais prosseguem, não como apenas um recurso das pessoas em geral que creem que estarão resistindo a algo quando no ato de se drogarem, principalmente com a coca quando a questão é produtividade e performance, atos de obter as metas ou mesmo de liderar grupos ou organizações e empresas, mas igualmente a maconha, quando se pensa em relaxar e partir para momentos de entreter-se diante do mundo, quando culturalmente o escopo de tudo isso vem banhado com o álcool, a droga de preferência de toda a humanidade, seja ocidental ou oriental.

                Quando se postula que tal ou qual ser humano estaria sendo uma personalidade que muitos creem ser crível de se acreditar estar manifesta no mundo, o que se entende na questão da expressão desse homem pode não ir de encontro com a organização a que pertença o postulante, no que se infira que quebrando os tabus e a própria construção de outrem a respeito da personalidade que ditem requerer diante de si para quem, em contrapartida, constrói e evolui de si para si mesmo um "recuperar-se", no sentido de se auto libertar de amarras que queiram impor, a mente controladora, aquela que postula e que pensa ter um domínio na esfera da neurociência ou da neurolinguística, vai dar com a testa no muro, diante das invectivas de que, no fundo, ignora nada saber sobre a mente e seus meandros, pois mesmo que surja afetivamente um laço afetivo que já tenha sido pretérito, o restante são escolhos que o mar traz à superfície como resultado do naufrágio de tais intenções nefastas, mesmo que inconscientes na estrada do ser... 

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