quinta-feira, 3 de julho de 2025

O que temos diante de nós aqui é a ambiguidade fundamental da noção de fantasia: embora a fantasia seja o crivo que nos protege do encontro com o real, a própria fantasia, no que tem de mais fundamental − o que Freud chamou de “fantasia fundamental”, que fornece as coordenadas mais elementares da capacidade de desejar do sujeito −, nunca pode ser subjetivada, e tem de permanecer recalcada para funcionar. Lembremos a conclusão aparentemente vulgar do filme De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick. Depois que Tom Cruise confessa sua aventura noturna a Nicole Kidman e ambos se confrontam com o excesso de suas fantasias, Kidman − certificando-se de que agora eles estão inteiramente acordados, de volta ao dia, e que, se não para sempre, pelo menos por um bom tempo, ficarão ali, evitando a fantasia − lhe diz que eles têm de fazer uma coisa assim que possível. “O quê?” pergunta ele, e a resposta dela é: “Trepar.” Fim do filme, os créditos finais rolam na tela. COMO LER LACAN.

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