quarta-feira, 2 de julho de 2025

Na arte contemporânea, encontramos muitas vezes tentativas brutais de “retorno ao real”, para lembrar o espectador (ou leitor) de que ele está percebendo uma ficção, para despertá-lo do doce sonho. Esse gesto assume duas formas principais que, embora opostas, produzem o mesmo efeito. Na literatura ou no cinema, há (especialmente em textos pós modernos) lembretes autorreflexivos de que o que estamos vendo é mera ficção, como quando os atores na tela dirigem-se diretamente a nós como espectadores, arruinando assim a ilusão do espaço autônomo da ficção narrativa, ou quando o escritor intervém diretamente na narrativa através de comentários irônicos. No teatro, há eventos brutais ocasionais que nos despertam para a realidade do palco (como matar um frango em cena). Em vez de conferir a esses gestos uma espécie de dignidade brechtiana, percebendo-os como versões de alienação, deveríamos antes denunciá-los pelo que são: o exato oposto do que pretendem ser − fugas do real, tentativas desesperadas de evitar o real da própria ilusão, o real que emerge sob a aparência de um espetáculo ilusório. COMO LER LACAN.

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